o pré foi como o planejado: estudado, tocado, errado, consertado, trabalhado, bem-ensaiado. cada segunda-feira, horas e horas de notas e risadas e piadas e alfinetadas e traves e olhares tortos e timbres e andamentos e abobrinhas e altos e baixos em altos e bons tons muito bem arranjados.
arrumação: equipamentos. horários. ligações. saída. estrada. chegada. qual é o nome da avenida mesmo? e o coração rubato crescendo sem pausa. accelerando!
me passa o cabo? as tomadas aqui são 220, viu?! cadê meu banquinho? moço, tem como guardar essa mochila aí? nossa, tô suando! tira um pouco do médio, por favor. alô, som!, ê!, ah!, som!. mê dá um lá? cuidado com o prato! beleza. certo. uhum. ok, ok. vâmo? vâmo.
os primeiros quatro acordes ainda tremidos. será que estão gostando? merda de reflexo na minha partitura! um sol natural no A7+ da introdução, um ops! interno, outros externos (risonhos), olhos fechados, uma inspiração profunda e pronto: não havia mais ninguém. estávamos sós. pra cada um, uma função-essência. mãos e pés dançantes. voz alucinante. cada qual com sua guia, nos-guiando-nos numa corrente de nuvens coloridas. olhares cúmplices. sorrisos discretos. temas memoráveis. sensações contínuas. suspiro. cabeça baixa, nota bem-timbrada. olhos fechados. e as nuvens ali, cochichando plenitude nas pausas de semínima... silenciando satisfeitas nas frases bem-colocadas. o gozo. a eternidade. nada na mente. e o mundo acontecendo ali, em cada mão e pé e voz e corpo todo. paz. suspiros infindos. alma.
uma alma só. bordada a sons e silêncios dos mais preciosos: os nossos.
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
de mim: um quadro.
você pode ouvir falar muita coisa. apreciar a cortesia de quase-todos os dias e querer explorá-la. conversar por uns minutos e querer muitos outros. saber de uma fama daqui e dali e querer provar com as próprias mãos ou língua ou outras partes. sentir um pouco desse silêncio aqui e querer entendê-lo. ouvir um trechinho de uma valsa e querer todos os movimentos de todos os outros sons e tons. ouvir uma piada original e querer rir ainda mais. ver uma beleza única e querer que ela continue única todos os dias restantes. sentir uma firmeza não esperada e querer admirá-la sempre.
devo dar o aviso:
a cortesia é rasa. a conversa não se mantém interessante nos outros muitos minutos. famas são efêmeras. o silêncio é meu regente e não há quem o domine. não sei tocar os outros movimentos em outros tons. só sei uma piada original. a beleza única se deve somente ao que se chama de primeira-visão; ela cansa nas que vêm depois. a firmeza que abre-alas abre para um mundo de insegurança sem disfarce.
eu e os que já ultrapassaram a fronteira podemos recomendar com propriedade: admire o quadro somente até a faixa amarela.
devo dar o aviso:
a cortesia é rasa. a conversa não se mantém interessante nos outros muitos minutos. famas são efêmeras. o silêncio é meu regente e não há quem o domine. não sei tocar os outros movimentos em outros tons. só sei uma piada original. a beleza única se deve somente ao que se chama de primeira-visão; ela cansa nas que vêm depois. a firmeza que abre-alas abre para um mundo de insegurança sem disfarce.
eu e os que já ultrapassaram a fronteira podemos recomendar com propriedade: admire o quadro somente até a faixa amarela.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
de minas
ouvi uma música bem mineira e chorei.
me fez pensar nas reuniões fartas de carnes e cachaças e di-tri-tetra-álogos
e no tamanho dessa coisa toda.
e em todos os meus aniversários mineiros.
nos cigarretes e coxinhas e pães de queijo e doces e bolos incomparáveis
dança e pega-pega e bicicleta e pique-nique e jogos de tabuleiro em dias frios
e roça! pasto, vaca, trilha, pinguela, galinheiro, erosão, mangueira, cavalo, cerca, terreiro de café (procurando um filipe pra ter sorte o ano todo!) e pés imundos e pôr-do-sol.
a felicidade.
quando chego no trevo, já sinto o cheiro de lá. e toda a felicidade me invade e me inspira e inspiro essa paz de olhos fechados. deleite.
logo, logo...
me fez pensar nas reuniões fartas de carnes e cachaças e di-tri-tetra-álogos
e no tamanho dessa coisa toda.
e em todos os meus aniversários mineiros.
nos cigarretes e coxinhas e pães de queijo e doces e bolos incomparáveis
dança e pega-pega e bicicleta e pique-nique e jogos de tabuleiro em dias frios
e roça! pasto, vaca, trilha, pinguela, galinheiro, erosão, mangueira, cavalo, cerca, terreiro de café (procurando um filipe pra ter sorte o ano todo!) e pés imundos e pôr-do-sol.
a felicidade.
quando chego no trevo, já sinto o cheiro de lá. e toda a felicidade me invade e me inspira e inspiro essa paz de olhos fechados. deleite.
logo, logo...
segunda-feira, 17 de maio de 2010
um outro ensaio sobre o amor.
há canções e poesias e muros pintados e esculturas e cinemas e fotografias e textos como este, tão rasos e repetidos e cansativos e nublados. todos os clichês e todas as artes, enfim. um mundo todo disposto a interrogá-lo. uma legião de surdos-mudos por opção. traumatizados. revoltados! agora é pé no chão! o nunca-mais é meu guia e tudo dará certo. e mergulhamos de novo no que não conhecemos e temos medo de novo de permanecermos cegos - não sei se por opção, ainda - e assim esperamos, na beira da praia, sozinhos-de-fato, com os pés nessa areia que esquenta e esfria tão rápido, uma resposta da maré - que esquenta e esfria bem devagar. ansiamos. cansamos. ansiamos novamente. ("é, pode ser que a maré não vire.") perguntas-aladas (todos sabemos quais são). elas continuam sem resposta. e morrerão perguntas. e viverão perguntas. combustível de pulmões ansiosos como o seu. e o dele também. e o meu e o dela. e o de quem busca um suspiro por dia, que seja. e de quem não se contenta com seu próprio discurso realista e (esse, sim) hipócrita.
vamos chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.
e tornar-nos insustentáveis, como deve e leve ser.
vamos chegar a ele sem reivindicações, desejando apenas sua simples presença.
e tornar-nos insustentáveis, como deve e leve ser.
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